sábado, 4 de julho de 2015

Lembranças de Star Wars

Com um novo filme da franquia prestes a tomar o mundo de assalto, mais uma vez me vejo a relembrar ocasiões marcantes de Star Wars em minha vida. Portanto, decidi fazer um amplo apanhado destas recordações.


A lembrança mais remota que tenho de Guerra Nas Estrelas é ver uma propaganda na televisão, que anunciava a estréia de O Retorno de Jedi nos cinemas, em 1983. Não lembro com clareza de tudo. A propaganda deveria ter uns 30 segundos, não mais que 1 minuto. Mas as imagens de Luke brandindo uma "espada laser verde" e as speeder bikes zunindo pela floresta de Endor nunca mais se apagaram de minha memória. E foram mais do que suficientes para capturar a imaginação deste jovem guri pelo resto de sua vida.

 

O filme estreou nos cinemas brasileiros e gerou aquela febre esperada. Em todo lugar se falava de Jedi, Darth Vader, Estrela da Morte. Pedi, implorei, esperneei para que meu pai me levasse para ver o filme. Mas ele, como bom seguidor das recomendações, não me levou, pois o filme tinha censura para faixa etária abaixo de 10 anos, com "cenas de violência moderada".


O gurizinho aqui ficou pra lá de triste. Meu pai percebeu. E para compensar, passou a comprar tudo que aparecia pela frente sobre o filme. E assim, comecei a colecionar as figurinhas do clássico álbum lançado pela editora Safira. E a brincar com a revista de atividades do filme, da editora Acti-Vita. Ambos lançados em 1983.

 
 
 
 

 

Você reclama de spoilers? Imagine obter as grandes revelações da saga em duas figurinhas seguidas.
Não ficou só nisso. Tive máscaras de Darth Vader e C-3PO. A máscara de Vader era muito bacana e vinha como brinde na compra de latas do achocolatado Nescau. Já a do 3PO era curiosa. Não lembro se era da mesma promoção da Nescau. Embora o molde fosse fiel ao personagem, a cor estava errada (era cinza, ao invés de dourada). Era, mais ou menos, como ter uma máscara do 3PO visto em Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones, 19 anos antes deste filme ser lançado.


Na época em que O Retorno de Jedi estava sendo exibido nos cinemas, o primeiro filme, então chamado simplesmente Guerra Nas Estrelas, foi reapresentado na televisão. Se não me engano, na TV Manchete, embora a Globo já o tivesse exibido antes. E foi assim que minha sede de infância por Star Wars foi aplacada, por breves momentos. Foi a primeira vez que vi um filme da saga. Lembro até hoje de estar deitado na cama de meus pais, vendo Luke diante dos sóis gêmeos de Tatooine, com sua vida prestes a mudar para sempre.


Tempos depois, meu pai comprou nosso primeiro videocassete, da marca Sanyo. Não possuo mais este equipamento, mas era assim:


Momento sublime. Finalmente poderíamos desfrutar desta nova tecnologia que tomava conta dos lares brasileiros. Os primeiros filmes alugados? Os Caça-Fantasmas, Tubarão II e Pluft, o Fantasminha. Na segunda oportunidade em que fomos à locadora, qual filme estava graciosamente disponível? O Império Contra-Ataca. Era o momento em que eu veria a continuação das aventuras de Luke, Han e Leia, que até então só imaginava através das figurinhas que colecionava. Lembro até hoje de ver a arte da capa do VHS, baseada em um dos cartazes oficiais.


Filme alugado. Ansiedade no máximo. Videocassete ligado. Fita inserida. Vai começar. Começou. E a primeira imagem que surgiu foi esta:


Pois é. A fita não estava rebobinada. E assim o Episódio V começou para mim com a chegada de Han, Leia, Chewie e C-3PO a Bespin. Não importa quantas vezes eu assista ao filme, esta cena sempre se destaca nas minhas lembranças. Obviamente, percebi que algo estava errado. Rebobinei a fita e então desfrutei do filme em sua totalidade. Pouco tempo depois, aluguei O Retorno de Jedi e, enfim, aquela frustração de alguns anos antes seria sanada. O filme era tudo o que eu esperava. Infelizmente, a fita alugada não estava em bom estado e algumas partes foram difíceis de assistir. Só sei que o "yes, master" proferido por Darth Vader durante vários momentos ficou em minha memória.


O tempo passou. E um belo dia, a Rede Globo resolveu apresentar O Império Contra-Ataca pela primeira vez na televisão brasileira, em uma sessão do Supercine (mais precisamente, em 6 de junho de 1987). Agora munido de um videocassete, era meu dever gravar o filme. E assim aconteceu a primeira gravação de um filme por este que vos escreve. Com horas de antecedência preparei TV, videocassete e fita. Testes de gravação foram feitos. Tudo certo. Veio a vinheta do Supercine. Dedo no botão REC. E depois diversas vezes no PAUSE para não gravar os comerciais. Ao fim da sessão, STOP. E então PLAY centenas de vezes mais, para ver e rever, com a inesquecível dublagem clássica (e a voz cavernosa do Vader).



Para felicidade geral, não muito depois a Globo exibiu Guerra Nas Estrelas em uma sessão de Cinema Especial (era uma quarta-feira, eu acho). Lá estava eu a gravar novamente. E desta vez, com direito a propaganda do desenho Droids no intervalo. Infelizmente não consegui recuperar este trecho. Mas era mais ou menos assim:



E encontrei na internet um trecho do desenho com a dublagem clássica.



Logo depois veio a Tela Quente, então uma nova sessão de filmes da emissora, que iniciou justamente com O Retorno de Jedi (em 7 de março de 1988). "O círculo está completo", como diria Vader.



Os três filmes na mesma fita. Obviamente, a qualidade não era excelente, mas para o cinéfilo mirim da época, o que valia era ter as três obras ao alcance.

Sim, ela ainda existe.
A Globo também apresentava os desenhos Droids e Ewoks. Além de Caravana da Coragem, presença garantida na Sessão da Tarde. O segundo filme dos ewoks, A Batalha de Endor, foi apresentado no SBT, se não me engano.

 

E estas eram as formas de apreciar os filmes de Star Wars disponíveis a mim na época. E exceto pelos já citados álbum de figurinhas e livro de atividades (e alguns recortes de jornais), eu não tinha outras publicações impressas relacionadas à franquia. Mas em 1985 a Editora Abril teve a feliz iniciativa de incluir estórias da saga nos gibis do Hulk. Começou com a quadrinização de O Império Contra-Ataca. Na época, consegui comprar as edições 25 e 26. A edição 27, com a parte final da quadrinização, só consegui adquirir há pouco tempo (e intacta, com página do Dicionário Marvel e tudo). Foi um período curto mas interessante, com estórias de Guerra Nas Estrelas nos gibis do Hulk e Indiana Jones nos gibis do Capitão América.

 

Obviamente, a febre não poderia deixar de lado os bonecos, as figuras de ação, os bonekrinhos. Entretanto, os clássicos bonecos da Kenner não estavam disponíveis no Brasil (com todos os problemas econômicos, de licenciamento e de reserva de mercado pertinentes daquele período). Mas no país do jeitinho, "o jeito foi dar um jeito". E então surgiu em 1983 a coleção Aventura na Galáxia, criada pela Model Trem, uma empresa especializada em brinquedos e miniaturas de chumbo. Nada mais eram do que replicações, em chumbo e pintadas à mão, dos moldes da Kenner. O sucesso foi grande. Mas, para evitar questões legais, a coleção seguinte, chamada Novas Aventuras na Galáxia, trouxe apenas personagens inéditos, produzidos a partir da mescla dos diversos moldes. Criativo. E com um charme único.


Este gurizinho, ávido colecionador de bonekrinhos, não deixaria a oportunidade passar. E assim pude ter (e ainda tenho) Luke, Han Solo, Darth Vader, Leia disfarçada como Boushh e um Tusken. Além da Princesa Mirna e do Soldado Fiel, da coleção seguinte. E um veículo, o Canhão Laser. Infelizmente, nunca consegui ter muitas destas figuras. Mas tinha um vizinho que completou a coleção. Inveja pouca era bobagem.


Foi só em 1988 que os bonecos da Kenner foram lançados no Brasil, através da Glasslite. Tivemos apenas uma série, composta por oito figuras e três veículos, chamada "O Poder da Força".


Tive (e ainda tenho) estes bonecos (como curiosidade: Obi-Wan, Luke com roupas civis e o Stormtrooper aparecem no verso das cartelas, mas nunca foram lançados por aqui). E nunca tive as naves (X-Wing, TIE Fighter e TIE Interceptor).

 

Uma coleção do desenho Droids também foi lançada no Brasil, mas nunca tive algum item desta.

 

A constar, a coleção original da Kenner teve mais de 100 figuras, lançadas entre 1978 e 1985, ao longo de seis séries, que envolviam os filmes e os desenhos animados.


Outra bela lembrança de outrora: o clássico jogo de Atari. Na verdade, se tratava de Star Wars: The Empire Strikes Back, lançado em 1982 para o Atari 2600, que replicava, dentro dos limites do console, a batalha de Hoth. Outros jogos da saga foram lançados para o Atari, mas este sem dúvida era o mais popular. E o cartucho que eu tinha era da Digivision (que curiosamente usava uma arte de um TIE Interceptor). Meu SuperGame CCE trabalhou.

 

O tempo passou. A febre baixou, vieram os anos 1990. E em um belo dia de 1994 o tio George resolveu relançar os filmes em VHS, remasterizados na melhor qualidade possível até então. E com direito a entrevistas exclusivas, em que ele mencionava, brevemente, sobre novos filmes da saga. Nem precisaria dizer que o então rapazinho aqui esqueceu de sua missão vigente para virar adulto e, sem pestanejar, retornou aos bons tempos de infância.

 

Mesmo assim, publicações sobre a saga eram escassas. Geralmente, uma citação aqui e ali. Mas isto mudou quando foram lançadas as Edições Especiais dos filmes no cinema, em 1997. Foi quando finalmente vi os filmes na tela grande. Então o interesse do público em geral se renovou. Na esteira dos relançamentos cinematográficos, a Editora Abril publicou a HQ Império do Mal, em três edições.


E a Editora Azul lançou uma revista SET gigante, cobrindo toda a saga e dando primeiras informações sobre vindouros filmes (já mencionando os nomes de Ewan McGregor, Natalie Portman e Samuel L. Jackson como fortes candidatos para o elenco).

 

Pouco tempo depois, as Edições Especiais foram lançadas em VHS. Vergonhosamente, não consegui adquirir. Mas nunca é tarde, qualquer hora dessas...


Um belo dia, visitando uma popular casa de leitura, em uma popular localidade litorânea, me deparei com uma revista incomum: SCI-FI News. Até então, nunca tinha ouvido falar desta publicação. Mas a capa abaixo era mais do que suficiente para despertar meu interesse.

Uma ótima revista por R$ 3,80. O dinheiro já teve valor.
A revista se mostrou excelente, a cobrir com competência e seriedade o gênero de ficção científica (e cultura pop em geral), em uma época em que "nerd" ainda era aquele abobado com óculos fundo-de-garrafa e quadrinhos, super-heróis e filmes de fantasia eram coisas de criança. A cobertura sobre o Episódio I foi extensa (assim como os episódios seguintes).


A SCI-FI também lançou livros de Star Trek e Star Wars, incluindo a novelização do Episódio I e o clássico Sombras do Império. Também foi prometido o livro Trégua em Bakura mas, até onde sei, este nunca foi lançado. Na mesma época, percorrendo a tradicional Feira do Livro da cidade, encontrei a novelização do filme original, além do livro A Estrela de Cristal. Mais e mais belas aquisições.

 

Voltando a tratar de games. Nunca tive Master System, NES ou Super NES. E só fui adquirir um "computador de gente grande" em 1997. Assim, não pude desfrutar dos títulos de Star Wars lançados para estes sistemas por um bom tempo. Eu me virava com um MSX, um Mega Drive e, mais tarde, um Sega Saturn. Para jogar algo da saga, só contando com os amigos que possuíam ou alugavam os jogos nas demais plataformas. E foi assim que tive contato com a trilogia Super Star Wars no Super NES. E vislumbrei X-Wing e Rebel Assault no PC.


Quando finalmente comprei um PC (uma poderosa máquina, um Pentium MMX 233), tirei o atraso e ainda joguei "novidades" como Jedi Knight e Shadows of the Empire. Mal sabia eu que, alguns anos depois, viriam Jedi Outcast e Jedi Academy, entre tantos outros jogos da saga, para ocupar horas de meu tempo em jogatinas de uma galáxia muito distante.


E quando adquiri meu PC, uma das grandes novidades no Brasil era a tal da internet, a qual, pelo que eu ouvia falar, permitia acesso completo a fotos do acidente dos Mamonas Assassinas, bem como imagens e vídeos de Sandra Bullock e Cindy Crawford nuas. Meu interesse não era tão mórbido assim. Mas gatas nuas nunca são demais. Além disso, descobri que Star Wars tinha um site, sítio, página oficial, que logo em seguida passou a divulgar informações sobre o então muito aguardado Episódio I.

 

O resto é história contemporânea. Vieram os novos filmes. Tivemos HQs, jogos para videogame e computador, brinquedos. Alguns lançamentos oportunistas, às vezes. Mas eram épocas de vacas magras. Qualquer material sobre Star Wars era bem-vindo. No final da vida do VHS, qual foi a última fita que adquiri?


Surgiu o DVD, com os Episódios I e II disponibilizados entre 2000 e 2003, se não me engano (e a trilogia clássica lançada no formato em 2004). Novas animações, mais livros e gibis. Alguns outros lançamentos oportunistas. E boas iniciativas que duraram pouco.


Mas cada vez mais, Star Wars ganhava expressão no país, com eventos, websites, fóruns, Conselhos Jedi. Chegou o Blu-ray e os filmes foram apresentados em alta definição, em 2011. Mais brinquedos, miniaturas, coleções de todos os tipos. A saga hoje é forte no Brasil. E torço para que se mantenha forte por muitos anos. O Despertar se aproxima e muito ainda será apreciado desta galáxia muito distante. Até lá, continuo esperando. E lembrando...


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Atualizado em 28/07/2015:

Sim, adquiri a Edição Especial em VHS.